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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

[...] Por não saber esperar



Amei Júlia como se não houvesse outros amores, amei de tal forma que me abandonei. Júlia me abandonou anos depois. Por me entregar daquela forma, me tornei o pior dos estelionatários, o do amor.
Há um ano conheci Maria, consegui encantá-la com meu doce, agora (amargo). Não havia mais nada além de mim na sua vida, ela já havia me taxado como 'amor da sua vida'. Não hesitei, minha primeira vitima conquistei. Ela já se encontrava presa a mim, abandonei-a.
Uma semana depois, conquistei Angel, uma menina doce, ferida por outros amores. Curei todos com meu doce, agora (amargo). Ela jurou a mim amor eterno. Não hesitei, minha segunda vitima conquistei. Dias depois abandonei-a.
Passaram se duas semanas, a uma festa fui. Caetano tocava o coração da mais bela garota da primeira fila, que de todos as suas músicas elas sabia de cor. Bingo, já sei por onde começar, ao longe a encarei, e um belo trecho da minhas boca soava uma música de Caetano. Ela ao longe passou me admirar. Com meu doce, agora (amargo), dei-me a ela, e em meus braços ela deleitou. Presa a mim, já não havia como ela fugir. Depois de amá-la, abandonei-a.
Dois dias depois, peguei meu violão, o pior dos vilões. Com ele conquistei Amanda. Nunca em sua vida conhecerá alguém como eu, com meu doce, agora (amargo), a ela fiz as mais belas juras de amor. Foi então que a ela uma aliança dei, em uma noite de luar eu cantava um pedido de casamento. Um SIM, ela me deu. Iludida, era o meu objetivo. Mais uma vez presa a mim outra pessoa estava. Abandonei-a.
Por me fazer de vitimas aos amores anteriores consegui conquistar a Gi, era o nome carinhoso a que dei a Giuliana, a que acreditava ser a 'cura' das minhas dores passadas. Boba! Um brinde a mais uma que acreditou no meu amor. Abandonei-a.
Dois meses depois, consegui o número da Carol. Essa era bruta. Mas foi tão fácil domá-la que meu jogo de conquistas estava ficando chato, fácil demais. Abandonei-a. Mais uma.
Dois anos depois, depois de muitas abandonos, escolhi a solidão. Não me julgo o vilão daqueles corações partidos. Elas que permitiram que um outro ser a dominasse mais que a si mesmo. E por não saber esperar, se entregaram ao primeiro idiota doce que sabia dizer exatamente o que elas queriam ouvir. Existem muitos mais corações partidos por ai, só esperando um Eu. E por não saber esperar, acabaram sendo abandonadas.
A solidão que a mim foi imposta, descobri que esperar é melhor que abandonar.
Por não saber esperar, Júlia me ensinou a ser um doce, hoje amargo.


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